quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O segredo pode estar no meio

Semana passada, enquanto zapeava a TV, caí por acidente na MTV, canal que não assistia desde a minha adolescência. O programa, um tanto quanto sem sentido, mostrava uma apresentadora, no caso, uma personagem de desenho animado, entrevistando um convidado. 

O convidado do dia era Oscar Schmidt. Oscar sempre foi um ídolo pra mim, em especial porque, quando novo, o basquete esteve na minha vida como o futebol é para a imensa maioria dos garotos. O esporte ensina muito, especialmente sobre valores como a superação de limites, força de vontade, hierarquia, disciplina, dentre outros tão necessários para a vida. Só que às vezes a gente reluta a aprender... Descobri isso nesse dia, refestelado no sofá.

Voltando ao programa, enquanto olhava para a televisão meio absorto, fui surpreendido por uma pergunta um tanto quanto curiosa feita pela apresentadora-cartoon-mequetrefe. Ela indagava qual frase o entrevistado gostaria que estivesse escrita em sua lápide. Oscar disse:

- Eu gostaria que estivesse escrito que Oscar Schmidt foi o cara que mais treinou basquete na vida, foi um cara que teve uma família linda, uma esposa maravilhosa, dois filhos maravilhosos, que viveu a vida intensamente e que, infelizmente, foi pra baixo do chão.

Naquele meio sono em que eu estava diante da TV, confesso que fui sacolejado pela frase. Tinha como certo que ele diria que se sentia o homem mais realizado do basquete, que se orgulhava de um dia ter desafiado (e vencido) o time de basquete norteamericano e ter tido a oportunidade de ser protagonista de tantas glórias no esporte.

Não, ele não disse nada do que havia imaginado. Ele só disse que se orgulhava de ter sido "o cara que mais treinou basquete na vida". Não usou os verbos "conquistar" ou "vencer". Ao basquete atribuiu apenas o "treinar".

Silenciosamente, passei a buscar algumas passagens do próprio Oscar gravadas em minha memória e que só naquele momento me faziam algum sentido. Lembrei, de pronto, dele se referido aos períodos em que passava treinando arremessos com sua então namorada (hoje esposa). Ele arremessava e ela juntava as bolas pela quadra, por horas a fio. O resultado? A justa alcunha de Mão Santa. Oscar não tinha drible, velocidade, impulsão... Mas como um gato, que parece engendrado para sempre cair com as quatro patas no chão, tinha a fantástica facilidade de poder arremessar de muitos pontos da quadra com uma precisão incrível.

Habilidade? Dom? Não. Oscar sempre repeliu o apelido de Mão Santa (inclusive faz isso na entrevista que citei). Dizia que sua mão era treinada, apenas isso, nada mais.

O segredo do sucesso dele, penso agora, estava na afeição pelo treinamento, não somente no foco das metas. O encanto estava no meio, não só no fim.

Hoje, eu, você e tantos outros concurseiros Brasil afora também estamos a treinar nossos arremessos. O problema é que nós, neste momento de treinamento, invariavelmente lançamos as atenções para os momentos de glória, imaginando a hora da consagração, do pódio, da medalha. Isso é bom. Penso eu, na verdade, necessário. Mas o foco não pode estar sempre no futuro. Do contrário, corremos o sério risco de não estarmos dando 100% do que podemos dar.

Às vezes repetimos comportamentos e pensamentos quase que de maneira autômata. Pode ser que chave do sucesso não esteja na gaveta que reiteramos abrir. Assim como estou a refletir, buscando respostas para realização do sonho da aprovação, proponho a você tentar estabelecer outro foco, outras ligações, a buscar outra interpretação da mesma realidade. Talvez seja preciso saber se apaixonar pelo processo, pelo caminhar.


Para quem ficou curioso, segue abaixo o vídeo citado. O trecho que me refiro inicia-se em 11:19min.

5 comentários:

  1. Mocam,

    Parece que vc estava no lugar certo e na hora certa. Nada é por acaso. A vossa reflexão - oportuna e apropriada - creio que seja fruto da busca íntima da sublime questão: O que sou? Pra onde vou? Qual é minha missão nessa passagem terrena? A aprovação é a principal meta, custe o que custar?
    Realmente devemos buscar outro foco e tentar conciliar os estudos com as coisas boas do presente e passarmos a gostar do caminho percorrido. Será menos doloroso. Aliás, durante todo processo estaremos evoluindo culturalmente, espiritualmente, enfim, amadurecendo...e que a aprovação seja a consequência de tudo...

    Abraço Mocam.

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  2. isso foi +- o que eu conversei com o meu namorado um dia desses.
    a gente estava estabelecendo regras, metas e formas de como melhorar meus estudos...
    na hora ele disse para eu sentar a bunda na cadeira de manhã e só levantar de noite.
    e isso é o que várias pessoas fazem, mas não era isso o que eu queria pra mim. eu não quero olhar pro estudo como uma obrigação sacal. o estudo tem que ser meu companheiro. estudar TEM que ser legal. eu não conseguiria conviver com um fardo (o estudo) durante um período de tempo que eu não sei nem estimar. já que eu não se quando vou passar e, normalmente, isso demora um pouco, eu tenho que levar essa minha vida de estudo como uma coisa boa. eu tenho que procurar o prazer dentro do que eu estou fazendo, para que eu consiga levar isso a diante por muito tempo. lembrando que, depois da nomeação esses estudos não cessarão, apenas mudarão de rumo. os estudos serão eternos para nós, concurseiros ou concursados.

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  3. Caros Amigos,

    Ontem a noite antes de dormir eu e minha esposa, fizemos um trato (compromisso), que eu vou estudar pra juiz até passar, (não se sabe quando) pode levar alguns anos, vendo essas frases é estimulante, mas tenho que colocar em minha mente que estudar vai ser prazeroso, senão, isso vai se tornar um fardo, logo, vou anbandonar o barco,..., assim preciso conersar com alguem que ja esteja nesse barco, ver algumas esperiências, traocar ideias, se for possível, estou no aguardo...abração a todos.

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  4. Já venho estudando por um tempo e confesso que o prazer pelo processo de conhecimento é fundamental para quem quer manter o ritmo nos estudos. O texto do colega, que fala do Oscar, é bastante elucidativo ou exemplificativo, é o ponto chave dessa grande empreitada chamada concurso público. Boa sorte a tds!!!!

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  5. Meu caro anônimo (penúltimo comentário), junte-se a nós no Fórum do MOCAM (www.forumdomocam.com.br). Lá vc encontrará gente de carne e osso, com dificuldades e problemas, mas que não desiste.

    Forte abraço,

    MOCAM

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