quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vem com mouse, pai?

Numa festa junina da escola, em 1993, meu pai me chamou num canto e disse, longe da minha mãe, que acabara de entrar num consórcio de um computador. Era um daqueles consórcios do tipo “la garantia soy yo”, feito diretamente com um muambeiro da cidade. A mensalidade, cerca de 100 dólares. Lembro até hoje de parte da configuração: Um 386SX, com monitor colorido SyncMaster da Samsung e uma impressora HP 520, jato de tinta, que, pasmem, funciona até hoje. E com a curiosidade típica de quem tinha 13 anos, a primeira pergunta que me saiu da cabeça foi:

- Vem com mouse, pai?


Pouco tempo se passou e meu pai, tão ansioso quanto eu, resolveu antecipar a aquisição do PC, dando um lance no consórcio, tudo para abreviar a nossa curiosidade. Poucos dias depois ele chegou, naquele bege clássico, com tudo o que tinha direito, inclusive o bendito mouse, acompanhado de uma mesa para canhoto (!!!), o que desenvolveu minha ambidestria para o uso do ratinho (predicado que possuo até hoje).

Minha vida, ali, era tocada pelo fantástico mundo de Steve Jobs. Bem verdade, com bons anos de atraso. Também, quem mandou morar na América do Sul?

Os primeiros dias foram de uma descoberta que, honestamente, não consigo descrever. O engraçado de tudo ficou por conta da utilização do mouse. No nosso afã de desbravar aquele mundo, movíamos o ratinho pelas janelas do Windows 3.1, fechando todas. Espanto. Será que apagamos tudo? Tolice. Só não mais tolice do que a da secretária da empresa dos meus pais, que mexia nele como num controle remoto, apontando-o para a tela do computador.

Sou um aficcionado por tecnologia. E, pior, confesso, sou viciado em computador. Faço tudo nele. Só não faço mais porque ainda não inventaram um dispositivo de fazer café, meu outro vício. Devo meu vício virtual, também a Steve Jobs.

Meu primeiro computador não foi um Macintosh. Também o mouse não foi invenção de Steve Jobs (foi, na verdade, uma reinvenção). Mas toda essa revolução que vivemos, de interação homem/mundo virtual se deve, em muito, a este gênio. Um Da Vinci do século XXI.

Gênio e perfeccionista. Cada detalhe de seus produtos era cuidadosamente pensado. Até mesmo a cor dos cabos, no relançamento do Mac (aquele colorido) tinha um porquê. Jobs era tão perfeccionista que certa vez, determinou que seus engenheiros trabalhassem no design dos circuitos de um computador. Parem e pensem: O sujeito queria o desenvolvimento estético de uma parte do produto que os consumidores não iriam ver! Obviamente, sua iniciativa foi um fiasco, assim como em outros inúmeros projetos.

Na prateleira do sucesso temos, por exemplo, o Ipod, que em bem menos tempo de mercado, desbancou o Walkman da Sony, tornando-se o gadget mais vendido na história.

Mesmo quando Jobs não sabia nada, ele sabia tudo. No período em que ficou fora da Apple, criou a NeXT, sendo um de seus braços os estúdios Pixar, responsável por criações como Toy Story. Ele não idealizou o filme, nem participou diretamente de sua criação. Mas fomentou uma nova era da animação. Gabava-se da iniciativa de ter criado algo atemporal. Dizia que em 20 anos, todos as suas criações, como o Ipod, se tornariam quinquilharias. Mas do filme, daqui a 100 anos, todos lembrariam. Acertou de novo.

Mas eu disse gênio, não Deus. Jobs arquitetou a saída de seus desafetos à frente de suas empresas, como quando do seu retorno à Apple. Era também conhecido pelas suas demissões, inesperadas e rudes.

O que mais chamava a atenção era o processo criativo de Jobs. Nesse ponto, recomendo a leitura do livro “A Cabeça de Steve Jobs” que, mesmo não sendo tão atual, traz um belo apanhado de suas ideias e o porquê delas.

Ontem, quando vi a notícia da morte, corri para pescar tudo quanto é notícia. Vi Bill Gates (que o processou acusando de plágio) reverenciando o criador da Apple. Li tudo o que pude. Mas vi algo que não saiu dos meu olhos. A página inicial do Google, disparado o maior site da história, fazia uma menção a Steve Jobs. No seu nome, um link redirecionava para a página da Apple, onde uma foto em preto e branco, mostrava o rosto ovalado da maior personalidade do Vale do Silício.

Enquanto nós, comuns, quando morremos, ganhamos notas pagas em jornais e rádios AM, Jobs ganhou um link. Genial como ele. Devo a este gênio, boa parte do meu vício e, também, minha ambidestria no mouse.

Clique na imagem abaixo para ver




Um comentário:

  1. Bela homenagem, garoto!

    Ouso dizer que a revolução tecnológica iniciada por Jobs será, um dia, considerada um marco na história da humanidade... quem sabe, até, passemos da Idade Contemporânea para a "Idade Mídia", como disse ontem Joelmir Beting.

    Ou, porque não, Idade Jobs...

    Que a espiritualidade amiga o receba com o carinho que o enviamos ao outro plano...

    Abraços

    ResponderExcluir

• Vídeos, dicas de estudo, materiais gratuitos e muito mais. Grupos de estudo e muita informação sobre concursos das carreiras jurídicas. Acesse o Blog do MOCAM e cadastre-se no Fórum do MOCAM.

• Discordar é saudável. Mas comentários ofensivos não serão publicados.

• Publicidade não será permitida.

• Não serão publicados comentários contendo emails, números de telefones, endereços ou outros dados pessoais.

Veja Também no Blog do MOCAM