quinta-feira, 10 de março de 2011

GALERIA DOS VENCEDORES: O relato de Narizinho (Juíza de Direito) - Parte II

Continuando (antes que alguém me bata na rua... rs) a história da MM. Juíza de Direito, Dra. Narizinho, empossada hoje, 10/03/2011, na magistratura paranaense.

Que o desenrolar desta história nos inspire para as batalhas do próximo final de semana: TJSP e TJSC, aqui vamos nós!

E preparem o espírito para a parte final. É de abalar as estruturas.

[...]

CAPÍTULO 3 – Semeando o terreno

Fiz um ano de cursinho. Depois disso, percebi que não precisava mais das aulas. Muito tempo perdido com professores chatos e pouco didáticos. Além disso, a mesma matéria que o professor demorava um semestre para ministrar, eu conseguia esgotar em uma ou duas tardes.
Resolvi então pagar para estudar na sala de estudos do cursinho, para manter contato com outras pessoas e, principalmente, facilitar na disciplina dos estudos: ter um lugar para ir e de onde voltar, todos os dias, ficava mais parecido com um trabalho e me afastava das inúmeras tentações que temos em casa (televisão, internet, cama, geladeira, telefone...).
Nesse primeiro ano, não estudei tanto quanto achava que fosse ideal. Ficava desgastada demais e imaginei – de forma acertada, mais tarde constatei – que com o tempo meu corpo e minha mente aumentariam sua tolerância a cada vez mais horas de estudo.
Então, estudava religiosamente, das 8h ao meio-dia e das 14h às 18h. Só. Nada de estudo à noite, nem nos finais de semana.
No começo do segundo ano de estudo, passei para duas segundas fases: Santa Catarina e Goiás.
Que alegria!
Pensei comigo: “meu plano está funcionando, em 3 anos estarei aprovada.”
Ao contrário do que imaginava, ali começava o tempo das vacas magras.

CAPÍTULO 4 – Esperando brotar

Comecei a aumentar as horas de estudo. Nesse tempo, já estudava até umas 19h, durante a semana, e aos sábados de manhã.
Havia conhecido um colega, durante o primeiro ano, que se tornou um grande companheiro. Com ele, aprendi a estudar e devo-lhe, em grande parte, o meu progresso nos estudos.
Sua passagem pelo cw foi breve, pois ele passou no primeiro concurso que prestou (o 181), depois de ter completado os 3 anos, e hoje é juiz em SP.
Enfim, tentei me preparar para as duas segundas fases; a de Santa Catarina era fase de sentença e a de Goiás, dissertativa.
Nem preciso dizer que fui muito mal nas duas!!!!
Daí em diante, fiz ao todo 21 primeiras fases, 10 segundas fases, algumas terceiras e 4 orais. Só de magistratura.
Nos terceiro e quarto anos (2007 e 2008) estudei MUITO. Foram os anos mais pesados. Mas nunca à noite. Nunca consegui fazer 3 turnos. Em compensação, estudava no sábado quase todo e no domingo à tarde.
Tadinho do meu marido!!!! Eu só dormia depois das 22h aos sábados; nós quase nunca saíamos.
Seu apoio foi fundamental para que eu conseguisse a aprovação. Quando as pessoas que estão à nossa volta não colaboram, fica bem mais difícil. Por isso, não se esqueçam de, de vez em quando, agradecer expressamente a essas pessoas.
Bom, após várias reprovações no meio do caminho, cheguei à oral de SP.
“Ah, eu vou passar!!!!! Não tenho problemas de falar em público, estou no meu Estado, tenho um bom currículo.”
Pirei. Parei de ir pro cursinho, coloquei uma escrivaninha no quarto, estudava por mais de 12 horas por dia. Perdi 4 quilos.
Fiz prova. Uns 4 dias depois, fiquei doente. Quase 10 dias sem conseguir levantar da cama. Tal tinha sido meu desgaste físico e mental.
Esperei quase 3 meses por aquele resultado, pois havia sido argüida na primeira semana.
Reprovei.
Foi como receber a notícia de que alguém próximo tinha morrido. Eu...
Fiquei boiando no espaço sideral por umas duas semanas. Ficava pensando em todas as histórias que tinha ouvido, de pessoas que entraram em depressão e ficaram seis meses sem estudar, e só conseguia pensar que não podia deixar que o mesmo acontecesse comigo. Seis meses sem estudar é um tremendo retrocesso!!!!!!!!
Consegui voltar pra Terra. E me enterrei nos estudos.
Lembram-se que eu disse que sempre podemos tirar algo de bom, de todas as experiências? Pois é... tirei minha lição dessa prova oral.
Não iria mais sacrificar minha saúde por um pseudo-estudo. É, porque foi o que eu fiz, boa parte do tempo em que fiquei ali sentada, tentando devorar livros e leis até as 10 da noite! Não havia rendimento nas últimas horas; era só uma tentativa de driblar a ansiedade, que não me acrescentou nada em termos de conhecimento e me desgastou a ponto de ficar doente!
Mas, o lado bom é que, nessa época, já estava estudando no esquema sinopse + lei seca + informativos. E assim continuei até o fim.
Claro que li muitas coisas extras, tanto livros, quanto artigos de internet. Mas, o básico mesmo era esse. Para primeira fase, é o que basta.
Quando cheguei novamente à fase de sentença, me disseram para fazer muitas sentenças; eu desobedeci. Achei que seria mais produtivo ler sentenças e, principalmente, acórdãos de examinadores da banca. Eu prestava atenção aos entendimentos expostos, sobretudo a respeito de aplicação da pena.
Estudei muito as fases de aplicação da pena, intervenção de terceiros, e muita, muita jurisprudência.
Sentenças mesmo, fiz umas 3 de penal e outras 3 de civil, se tanto. Mas isso é para aqueles que têm intimidade com o português; quem tem certa dificuldade, precisa escrever.
Infelizmente, a meu ver, escrever bem é um longo processo; a escolha de o quê colocar e de o quê omitir, o tamanho dos parágrafos, coerência, clareza... tudo isso é resultado de muito tempo de boas leituras e de muita escrita.
Meu conselho é “escrevam”. Muito. Não somente sentenças. Treinem muito para a segunda fase também. A facilidade para escrever pode fazer a diferença, inclusive quanto ao tempo.

CAPÍTULO 5 – The dark side of the moon

Depois da prova oral de São Paulo, cheguei a uma outra fase oral. Nesta também reprovei. A dor foi enorme. Aprendi muito com aquela experiência. Foi uma das situações mais dolorosas e mais enriquecedoras da minha vida; com isso me tornei uma pessoa muito mais forte e uma juíza muito mais tinhosa! Obrigada!
Depois disso, já iniciando o quinto ano de estudos, havia chegado num ponto em que alguma coisa precisava mudar. Eu estava no final das minhas forças e esperanças; meu marido e minha mãe, incansáveis apoiadores da minha jornada, tinham em suas faces aquela expressão de angústia, que forma uma ruguinha quase permanente de um lado do rosto, expressão que demonstrava o medo que começavam a sentir de que eu não passasse em nenhum concurso, ficasse frustrada e marcada para sempre.
Eu também estava com medo. Durante esses anos de estudos, me questionara algumas vezes sobre ser realmente capaz. Logo após uma derrota (ou mesmo antes de uma prova), me perguntava: “será que sou inteligente como penso?” “será que todos esses anos, todas as conquistas acadêmicas, foram fruto da sorte e ela me abandonou?”. Coisas assim. Essas dúvidas são saudáveis, se servirem para nos impulsionar, para fazer com que nos empenhemos mais e mais.
Mas, nesse período, os questionamentos começaram a acontecer com uma freqüência indesejada. Estava duvidando de mim mesma. De verdade. Ficava imaginando como seria o dia em que eu desistiria de vez: como dizer às pessoas? Como dizer a mim mesma????
Na verdade, eu dizia secretamente pra mim mesma que nunca desistiria. Ou melhor, meu coração dizia pra minha razão que eu nunca desistiria, e minha razão respondia: “ahhh, vai desistir, sim”!!!
Ainda bem que o coração venceu... ou a aprovação veio antes!


Continua... Preparem para um "gran finale".


Entenda esta história:

16 comentários:

  1. Cara Narizinho,

    Fiquei emocionada com a sua história. Parabéns pela sua garra e vontade de vencer. Essa vitoria foi merecida. Tenho certeza que fará a diferença na Magistratura Paranaense. Relatos como o seu são um alento para concurseiros como nós, que estamos no meio da jornada...

    Pacta Sunt Servanda (CW)

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  2. Mocam,

    eu não te conheço a tanto tempo quanto o VB, mas vou usar as palavras dele....rrsr
    Seu Prego!!!!
    Vc vai me matar de curiosidade!!!!
    Vc vai apanhar do porteiro do seu prédio, e eu não vou ter pena de vc...rssr

    Lika

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  3. Este relato me dá forças para continuar nesta jornada de estudos.....nao vou negar que já pensei em desistir, mas tenho certeza que, se fizer isso, um dia, vou olhar para trás e me arrepender de ter sucumbido. Estou numa fase de transiçao, pois, como a narizinho, algo precisa mudar nos meus estudos, especialmente depois de uma reprovaçao. Parabéns ao marido dela, pois é essencial o apoio das pessoas que nos querem bem. Sucesso a todos vcs. Bete Balanço.

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  4. Meu caminhar é um pouco diferente da narizinho. Depois de 3 meses já comecei a passar em todas as primeiras fases, o problema são as 2 fases e sentenças, oral nem fiz ainda. Agora iniciei fortemente a feitura de provas discursivas e sentença. Deus que me ilumine. Outra coisa é que estudo apenas um período, geralmente, das 8 ao 12 e depois retorno às 21:00 até 00:00. Ah e no fds estudo sábado de manhã e tarde (quando não tenho compromissos). Trabalho, sou advogado e ganho relativamente bem, sem querer ser esnobe, até mais que um juiz (só disse isso para informar e nada mais). Infelizmente não gosto mais de ser advogado (cliente, sócios, riscos, joguetes...cansei). Então... Fico apreensivo se estou estudando o tempo suficiente. Não sou gênio, para fazer algo me esforço bastante. De todo modo, estou preparado para durar o tempo que for para eu passar. Até gosto de estudar, me faz bem e me deixa antenado com as novidades, o que por certo reflete na minha atual carreira de advogado. Enfim, vamos que vamos para mais uma 1 fase (TJSP). Que Deus esteja com todos e ilumine os preparados.

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  5. amiga narizinho,

    sem palavras. você sabe o quanto te admiro, ao seu distinto marido e à sua queridíssima mãe "ad hoc" de vários concurseiros. rs.

    só posso desejar, sempre, tudo de bom para você e que nessa longa ou curta estrada da vida não rareiem as vezes que os amigos se encontram.

    um abraço!

    bruce

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  6. Janota, tenho o mesmo problema de horários... trabalho, mas o dia inteiro, e só tenho à noite e finais de semana para estudar... Tenho que optar, muitas vezes, entre fazer um cursinho rápido (no máximo 3 meses) para me atualizar e estudar em casa, que rende mais!
    Mocam, adoro o seu blog e o depoimento da Narizinho me motiva cada vez mais. Só me preocupo com o meu escasso tempo de estudo... Ainda não dá para largar o meu emprego... Abraços e boa sorte a todos!

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  7. Hoje foi a posse da Dra. Parabéns. Bela história; um exemplo para nós de perseverança. Desistir, jamais!
    João Oliveira.
    Ps: the dark side of the moon. Isso sim é música.

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  8. MOCAM
    Essa oncinha de toga tá demais! kkkkkk

    grande beijo a todos!

    Narizinho

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  9. Infelizmente não vou fazer o 183 do TJSP, mas registro aqui o meu desejo de boa prova a todos os colegas.
    BRUNO.

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  10. Parabéns!!! Realmente é uma motivação. No texto uma frase me chamou atenção,talvez pq seja meu questionamento constante - APRENDER A ESTUDAR -"Com ele, aprendi a estudar e devo-lhe, em grande parte, o meu progresso nos estudos".
    Tudo de bom, para todos nós que estamos na caminhada da aprovação!!!Elis

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  11. Narizinho... parabéns!
    Estou há 5 anos estudando e fiz meu primeiro oral há um mês para o MPSP. Estou ainda nesse dilema de saber se sou capaz ou não.... as forças vão se esvaindo....
    É bom saber que não sou o único! Aos estudos!
    abs

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  12. Narizinho sua história é um exemplo e nos motiva a continuar e acreditar que não é impossível, basta haver dedicação, paciência, amor e fé. Parabéns!

    Ass.: Vouconseguirpb

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  13. Querida Dra Raquel...sua história tão bem acompanhada por mim....é uma reflexão de vida...a sra é um exemplo a ser seguido...emocionei-me ao ler seu depoimento...pois bem sei o quanto tudo isto é verdade....desejo que daqui para frente todos seus sonhos continuem sendo realizados...parabéns pelas conquistas...
    grande beijo
    Regina Céli

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  14. Narizinho,
    te desejo muito sucesso, pois vc merece. Ainda bem q seu coração venceu a razão.

    MOCAM,
    vou me associar ao VB e à Lika p/ pagar um trocado p/ seu porteiro te bater. kkkkkkkkk

    Brincadeiras a parte, sucesso a todos que perdem o convívio familiar, horas de lazer em busca de um sonho que, muitas vezes, parece impossível ou, no mínimo, muito distante.

    Ah!!
    Adorei a oncinha de toga!!!
    Xero.
    AlêNascimento

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  15. Parabéns, muito bonita sua história. Acredito que todo concurseiro tem sua história, seus imprevistos, seus momentos de angústia... o que nos ajuda a seguir a caminhada é sabermos que estamos todos no mesmo barco e com a ajuda de Deus vamos conseguir, não podemos desanimar. Vamos em frente colegas, nosso dia de glória irá chegar. Acreditem.

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  16. Narizinho,

    Parabéns pela sua conquista!

    Parabéns pela sua trajetória!

    Parabéns pela sua perseverança!

    Obrigado pela lição de vida que nos deu!

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