quarta-feira, 9 de março de 2011

GALERIA DOS VENCEDORES: O relato de Narizinho (Juíza de Direito) - PARTE I

Esta é uma postagem que há muito esperei e penso que os leitores do Blog do MOCAM também. 

Se você frequenta o Fórum do CorreioWeb, certamente conhece o avatar aí do lado: é da nossa querida amiga Narizinho. Já a toga preta, esta sim é novidade. Recentemente, Narizinho deixou o campo das promessas e entrou para a realidade, tornando-se Juíza de Direito, com todos os méritos. 

Fiquem agora com a primeira parte da história de aprovação de Narizinho, ou melhor, Dra. Raquel Perini, aprovada nos últimos concursos da magistratura nos estados de Goiás e Paraná.

Obrigado Raquel, por compartilhar conosco a sua história. Seu empenho em busca de seu sonho certamente impulsionará tantos outros a continuar nesta estrada.

Sem mais palavras. Com a palavra, Excelentíssima Senhora Doutora Narizinho, Meritíssima Juíza de Direito:


Capítulo 1 – Agradeça ao idiota

Colei grau em janeiro de 2001 e já saí da faculdade empregada.
Eu tinha sido estagiária, no Jurídico de uma empresa da minha cidade, e, quando me formei, fui contratada como advogada. Empresa de renome no seu ramo de atividade, exportadora para não sei quantos países, todos me parabenizavam pela conquista.
Eu também estava feliz, afinal, fui dos poucos da minha turma que já saíram empregados.
Mas, os dias foram passando e a empolgação de ter um emprego (um emprego qualquer) foi diminuindo. Algo estava fora do lugar. Advogar não era com o que eu tinha sonhado durante os 5 anos de faculdade.
Além disso, o advogado que já estava lá quando cheguei não era exatamente um colega de trabalho; estava mais para um “monstro no trabalho”!
Não sei bem se ele se sentiu ameaçado, por eu falar 4 línguas e ter conquistado o respeito e o coleguismo dos demais funcionários, ou se ele era pura e simplesmente um idiota (ou se as duas situações são a mesma coisa).
O que sei é que, com o passar do tempo, ele começou a me maltratar, a me tratar como uma subordinada sua, fazia desaforos e humilhações todos os dias. Na época eu não sabia, mas estava sendo vítima de assédio, bullying ou qualquer outra situação horrível dessas, que pessoas cruéis e com baixa auto-confiança infligem naqueles com quem convivem. Era meu primeiro emprego na área e eu estava ainda muito “verde”; não soube me impor.
Houve um período em que as coisas pioraram e eu chegava em casa todos os dias, na hora do almoço, chorando de raiva e de tristeza.
Me lembro bem de um dia, que considero o “dia D”, em que cheguei em casa, sentei no chão da cozinha e chorei durante o intervalo de almoço todo. Meu marido ficou lá, tentando me consolar, dividido entre a tristeza que eu sentia e a raiva que ele tinha desenvolvido por aquele sujeito.
Naquele momento, percebi como havia me desviado daquilo que era meu plano desde o primeiro ano de faculdade... Ali estava eu, advogando, insatisfeita com o que estava fazendo, e sofrendo abusos psicológicos de um sujeito de caráter duvidoso...
Sabem, foi um período muito ruim da minha vida... mas, agradeço muito por ter tido esse sujeito no meu caminho!!!! Foi ele quem me mostrou que eu estava no lugar errado!!!!!!!!
Não há experiência em nossas vidas que não nos renda algo de bom. Só depende de sabermos olhar... Sem esse sujeito, talvez eu tivesse demorado anos para ter coragem de admitir que não estava fazendo aquilo que queria, que ficar “acomodada” não é o mesmo que ficar “satisfeita” consigo mesma.

Foi mais ou menos nesse dia que resolvi sair do meu emprego e voltar ao caminho que levaria à magistratura.

CAPÍTULO 2 – Arando o terreno

Decisão tomada, demissão efetuada.
Comecei a me preparar: fiz matrícula em um cursinho famoso, com aulas via satélite, e comecei a assistir aulas.
A notícia de que a Narizinho (conhecida no mundo “real” como Raquel F. Perini) iria prestar concurso para juiz logo se espalhou na minha cidade de origem.
Meus pais são pessoas muito bem conceituadas na área da educação, lá na cidadezinha onde moram. E a Narizinho, portanto, é tida como uma moça inteligente, que começou a primeira série com 5 anos, fez 3 faculdades, intercâmbio, enfim, um exemplo para os outros filhos e filhas...
Daí a conclusão: “ah, ela passa fácil”, “logo já vai passar”. Até minha sogra me disse um dia – nunca me esqueço – “iii, você vai passar no primeiro que prestar”.
Ai, ai, é fácil pra quem está de fora, não é mesmo?
Apesar de saber que não seria fácil assim, confesso que, do alto dos meus 1,62 metros de ligeira vaidade, tinha feito planos de que me daria até 4 anos para passar. Pensava comigo “sou disciplinada e, estudando forte, certeza que passo em 3, no máximo 4 anos.”
Mal sabia eu que se passariam 6 anos antes que eu conseguisse respirar aliviada novamente. 

Continua...

Entenda esta história:

22 comentários:

  1. MOCAM que maravilha, saiu o relato.
    Obrigada pelo empenho, sei da dificuldade, acho que agora seu porteiro te deixa em paz hehehe
    Pistache do CW

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  2. Narizinho, adorei o início de sua história, aliás me identifiquei com ela, tb comecei como vc, trabalhando em um conceituado escritório da cidade, no qual já estagiava e quando vc começa se destacar passa a ser humilhada por um qualquer que há anos sequer abre o CPC. Por isso estou nesta luta e tenho fé que um dia (como você) chegarei lá.

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  3. Mocam,
    a única reclamação que eu tenho a fazer é não ter, de uma vez a histrória toda... hehehe assim vc nos deixa curiosos!!!!!
    ótimo blog o seu!!!!

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  4. Salve, salve Narizinho!!! Eu precisa "ouvir" isso!!!

    É verdade que eu não tenho 3 faculdades, mas no que depender de mim a Magistratura que me aguarde!

    Escreva logo os próximos capítulos Dra., pra que eu deixe de seguir o BBB e leia os seus relatos...kkk

    Abraço, avante!

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  5. Queridos amigos,

    Alguns leitores estão se queixando sobre o fato de o relato não estar integralmente no blog. A ideia de dividí-lo em partes é de forçar a reflexão, mergulhando profundamente nessa experiência vivida pela querida Narizinho.

    Vai valer a pena esperar, podem apostar.

    Ah! E eu não vou publicar as outras partes com um espaço de tempo grande não. Vai ser num ritmo mais rápido do que as postagens normais do blog.

    Um forte abraço,

    MOCAM

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  6. A vida dá cada rasteira na gente... Tem é que saber superá-las.
    Parabéns Narizinho, uma lição de vida.
    Me deu mais motivação, embora não possa prestar magistratura, já que me formarei esse ano, esse é o meu sonho.
    Vamos à luta!!!
    Valeu Mocam!!! Aguardando a parte II.

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  7. @MOCAM

    MOCÃO!
    Vc já é meu brother há um tempo e não considerará ofensivo...
    Seu prego!!! rs rs rs rs
    Quer nos matar de curiosidade (interrog !!!!) Já estávamos ávidos por esse relato e agora vc nos apresenta a conta gotas (interrog)
    Manda logo isso aí, véio!!!
    Gde abraço e muito sucesso!!
    P vc, nessa nossa caminhada q continua!
    E p a MM Nariguda, nessa nova etapa da vida q se inicia!!!
    VB

    (ps - vc deveria ter divulgado o post na sala da magis-MG... rs... seria meio q um tapa com luva de pelica, em homenagem à Narizinho...)

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  8. @VB

    Fica bravo não... Aliás, vou dividir com vocês um negócio. A ideia foi dela (e eu achei ótimo).

    Narizinho, pode correr que daqui a pouco tem manifestação na porta da sua casa! kkkk

    Abs,

    MOCAM

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  9. Adorei iniciar a leitura dessa história! Estou no meu 5º ano de estudo e é muito importante para mim conhecer a "caminhada concursal" de pessoas com a Narizinho!
    Parabéns pela iniciativa Mocam!
    Márcia

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  10. Aguardando, ansiosamente, as cenas do próximo capítulo! Obrigada!

    Maria Concurseira

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  11. Passou na Magis e ainda sabe falar 4 línguas??? uau!!! curiosíssima pela parte II.

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  12. Parabéns MOCAM pelo blog, quanto a Narizinho estamos anciosos para o segundo capítulo, parabéns pela tua história de dedicação e luta, você é um exemplo para nós concurseiros.

    THIODA DO CW.

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  13. Narizinho em doses homeopáticas... ótima ideia!

    Vê-se que o judiciário goiano muito ganhou com seu ingresso na magistratura. Toda sorte do mundo com a toga preta!!

    Um grande abraço.

    Kafka

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  14. Que orgulho da Narizinho! Não a conheci pessoalmente, mas acompanhei a luta dela, sobretudo com as injustiças da prova oral do TJMG. Também estava na oral e fui reprovado.

    Narizinho: nunca senti tanta felicidade e orgulho de uma pessoa que se quer conheci.

    Parabéns sinceros.

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  15. Fala, galera, aqui é o cara que sentou no chão da cozinha junto com a Narizinho, para consolá-la, e hoje estou em Curitiba para a sua segunda posse na Magistratura. É um sonho realizado por nós dois e espero que aconteça com todos que estão lendo esse depoimento. Abração do André.

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  16. É pessoal, tem horas que temos a certeza que estamos sozinhos. Qdo isso acontece é sempre bom alguém por perto para lembrar que estamos errados.

    Parabéns Narizinho e André!

    MOCAM

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  17. @Anônimo

    André,

    Não sei quem é mais sortudo: ela ou você.

    Parabéns a ambos.

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  18. Sou felizardo por ser amigo da Narizinho. Acompanhei um pouco sua trajetória e sei o quanto ela mereceu chegar onde chegou. Além de esforçada, é muito competente e não será só mais uma Juíza de Direito. Será A Juíza!
    Parabéns, minha amiga! Volto a repetir: qualquer Tribunal de Justiça se orgulharia de ter uma pessoa tão preparada e dedicada como você nos quadros da magistratura. Seja feliz!
    Parabéns!
    Abraço,
    Leo

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  19. Narizinho, ô mulher sortuda, meu Deus! Um maridão apaixonado, companheiro de todas as horas, e duas togas para escolher, felicidade completa! Parabéns ao casal, exemplo de companheirismo, cumplicidade e amor. Exemplo para nós concurseiros, que não devemos nos contentar com menos do que merecemos: com certeza, existe alguém por aí que irá entender e me apoiar neste momento decisivo da minha vida. E claro, vibrará com a minha vitória! Aos estudos, pessoal!!!! Baterias recarregadas!
    Maria Concurseira (CW)

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  20. Alguém tem um lenço??

    Ass: dra.mscc

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  21. Gostaria de conversar com a Narizinho. Qual o e-mail dela. Tomo essa liberdade porque ela se disponibilizou no fim da história dela. Obrigada!

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  22. @LeonardoNão estou autorizado a passar o email da Narizinho. Desculpe.

    Abs,

    MOCAM

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