domingo, 16 de janeiro de 2011

Sobre cursos e cursinhos: Qual fazer? Como escolher? - PARTE I

Grande parte dos emails que recebo no blog, estão relacionados com dúvidas sobre cursos preparatórios. É de fato tormentosa a escolha do cursinho ideal, especialmente porque grande parte dos concurseiros estão como Fernando Collor, de frente para um tigre e com apenas uma bala na agulha. Ou acerta, ou o tigre da oportunidade desperdiçada acaba os engolindo.

Mas antes de falar mais a fundo sobre os cursos, o que farei na próxima postagem, quero propor aos leitores algumas reflexões que fizeram toda diferença na minha caminhada. 

Dentre tantos erros que cometi no passado e que me fazem, ainda hoje, estar na condição de só mais um candidato, um em específico custou-me muita energia, e só os fracassos recorrentes puderam me despir desta manifestação de soberba. Eu explico.

Se hoje estamos sentados do lado de cá da sala de aula, é porque estamos na condição de aprendizes. E qual a nossa principal obrigação? Aprender. Mas é aprender para passar. Quem filosofa demais não se dá bem nos concursos. Quem, aos rompantes e bravatas, discorda do professor, com aquele ar de autoridade, das duas, uma: ou é gênio, ou é burro. E como os gênios são escassos e a inteligência tem limites (mas a ignorância é infinita), invariavelmente o sujeito acaba por enfiar toda sua cabeça no "chapeuzinho do burro".

Pois é. A minha cabeça não saía de dentro deste chapeuzinho. Hoje tenho visitado menos o "cantinho dos burros" da escola. Mas ainda visito a cadeirinha no canto da sala, só que por outros motivos. Teimoso tem é que pastar mesmo...

Então, se no início deste ano você está se propondo a frequentar algum curso ou cursinho, não se esqueça de uma coisa: o aluno é você, não o cara do telão. Você acha que o cara está falando bobagem? Encha a boca d'água e trate de anotar aquela "bobagem". O dia em que você atingir o objetivo pelo qual te levou ali, escreva um livro, procure uma editora e publique. Por enquanto, nada de viajar na maionese.

Mas...

Não estou dizendo para não ter senso crítico. É preciso sempre duvidar da própria inteligência, mas sem perder a noção de que a dialética é inerente ao estudo do Direito.

O segundo erro que cometia e que gostaria de frisar, decorre do primeiro que descrevi acima. É, você já entendeu que o aluno é você e que a sua tarefa é objetiva: você precisa aprender. Com isso em mente agora, você vai escolher o cursinho.

Hoje o mercado tem grandes franquias de cursos preparatórios. Nenhuma delas é perfeita, pode acreditar. Um ou outro professor vai te desagradar. Mas mesmo com essas falhas (ou melhor, "inconsistências"), todas as grandes redes se propõem a ensinar o que é necessário à aprovação na maioria dos concursos jurídicos do país.

Agora, e se você dominasse, com segurança, todo o conteúdo exposto em sala de aula? Qual seria o resultado disso? É óbvio, você seria aprovado. Então, aonde se situa a falha? No cara do telão, ou no sujeito da carteira?

Invariavelmente transferimos a responsabilidade pelas nossas derrotas. Eu faço isso, você faz isso, todos fazem isso. Essa imperfeição é humana. Mas o resultado disso é um alívio apenas momentâneo. Nada disso é perene.

Entretanto, uma observação se faz necessária. Veja que nos parágrafos acima eu me refiro às grandes franquias ou redes de cursos preparatórios, que são aquelas que dominam a maior fatia do mercado, e possuem abrangência quase que nacional. Não me refiro ao curso do "zé da esquina", que começou anteontem. Escolher cursos como estes é uma aposta arriscada, coisa que definitivamente não aconselho.

Então, não vejo porque tanto dilema em escolher qual curso a frequentar. Num geral, todos suprirão as necessidades básicas para o seu estudo.

E mais importante. Não faça como este estúpido aqui, que fazia cursinho e não anotava direito. Anote até a respiração do sujeito. Se tiver condições, compre um notebook (ideal para isso é o netbook, que é leve, portátil e tem bateria de longa duração). Isso vai possibilitar que, no futuro, você edite o material, atualizando jurisprudência, artigos transcritos, ou até mesclar materiais de cursos diversos. Cada dia que se passa me conscientizo ainda mais que uma anotação bem feita (e bem estudada!) é um grande passo para a aprovação.

Por último, não se esqueça do seguinte. Por melhor que um cursinho seja, ele ainda é dispensável. Conheço inúmeras histórias de aprovados que, por serem extremamente disciplinados, acabaram por trilhar um caminho solitário que, nem por isso, foi mais longo.

Sem mais delongas, fico por aqui. Na parte II desta postagem trarei alguns apontamentos e  avaliações sobre alguns cursos jurídicos do país, em especial os que conheço.

Tenham todos uma semana produtiva.

Um abraço,

MOCAM

PS: Nesta série de postagens sobre cursos e cursinhos, adotarei uma regra diferenciada quanto aos comentários. A primeira, e mais importante, é que não serão reproduzidos comentários ofensivos aos cursos jurídicos. A segunda, refere-se às críticas e observações sobre eles. Só serão publicados os comentários em que o autor seja devidamente identificado. Portanto, se desejar fazer algum comentário, não se esqueça de selecionar, logo abaixo do campo destinado à sua mensagem, a opção "selecionar perfil", que fica na frente da expressão "comentar como". Isso é para evitar ações midiáticas ou puramente denigritórias, sem o propósito que desejamos, que é fomentar o debate. Muito obrigado.

13 comentários:

  1. Excelente matéria, MOCAM! Parabéns!
    Uma dica: nessa época, meio de janeiro a início de fevereiro, os cursinhos abrem as portas para palestras gratuítas com os professores que ministrarão seus principais cursos durante o ano. Por isso, para se ter uma idéia do que vem pela frente, aconselho aos colegas se inscreverem nessas palestras para conhecerem os professores. Logicamente, esse contato primeiro é superficial, mas já dá pra notar se o ambiente de estudo é agradável, se os professores são sérios e didáticos, etc.
    É isso!
    Abraços.

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  2. Olá MOCAM,

    Legal o seu post.

    Eu também já fiz vários cursinhos e também já peguei birra de alguns professores. Mas, realmente, se for para fazer um curso, é melhor não resistir ao que o professor diz.

    Um problema que eu também noto em alguns cursos é o excesso de gracinhas em algumas aulas, que se tornam quase que programas de televisão. Prefiro os cursos com perfil mais sério e objetivo, pois me sinto perdendo tempo com algumas piadas sem graça...

    Agora, em relação ao conteúdo, pelo menos em Direito Penal, nada irá superar o Praetorium de 2005, quando Rogério Greco dava aula... Tenho áudios gravados até hoje (na época, o curso não proibia os gravadores na sala), e considero uma preciosidade.

    Chegando ao fim, Mocam, eu percebi, depois de ler um texto de Rogério Neiva, que eu aprendo melhor quando não copio o conteúdo da aula. A ansiedade em guardar o conteúdo no papel, às vezes, não combina com a concentração necessária para se guardar o conteúdo na cabeça. De vez em quando, eu também levo o livro do próprio professor para a aula, e, durante a exposição, vou grifando as partes mais interessantes.

    Bom, mais um ano de cursinho para a gente!

    Que 2011 seja nosso!

    Ivan

    P.S.: Você vai fazer algum curso este ano?

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  3. Um grande problema de qualquer curso é bem simples: os livros são a suma de qualquer espírito, afinal, foram feitas com tempo e através de consultas. Ou seja, são a síntese do que o autor consegue fazer em termos de didática e conteúdo. Se o livro - conteúdo concentrado - não é bom, não será de forma nenhuma uma aula, que contém sempre algum improviso e a limitação natural do tempo. O que me parece (humildemente) é que o tempo dispensado em uma aula será muito melhor empregado na leitura de um livro do mesmo professor ou algum outro. Há um pouco de inconsciente desejo de "descansar" durante a aula expositiva, uma vez que a leitura é muito mais exigente de atenção. É minha opinião, grande Mocam.

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  4. Os cursinhos custam bem caro, mas se investíssemos a metade desse dinheiro em livros além de ter uma excelente biblioteca teríamos todo o conhecimento necessário para passar em qualquer concurso bem a nossa frente. Sendo que, a disciplina exigida será bem maior...

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  5. Cursinho é muito bom, mas não se iluda, não é porque fez "naquele excelente local" que vai passar, o que vai fazer a diferença é o que você faz depois do cursinho. Estudar novamente.
    Falo isso por experiência... depois que passei a me dedicar sozinha ( ainda apanho na disciplina) passei a render mais e tem assunto que nem mais estudo, pois já tenho em mente.
    Então, a dedicação é fundamental e o cursinho é um norte que deve ser seguido com empenho também

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  6. Ótimo post!

    MOCAM, quando vem a parte II?
    É que os cursinhos estão no período de matrículas e seria interessante que a parte II viesse a tempo...

    Obrigado e parabéns.

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  7. Tive contato com o candidato Felipe....., ele me mandou um email que, se autorizado, postarei aqui. Foi aprovado nos concursos da defensoria DPU, DPRJ e DPSP.
    Segundo suas palavras, jamais leu uma doutrina, quer no seu curso de formação, quer na preparação para concurso. SEMPRE CADERNO. Disse que leu uma pequeno livro de filosofia jurídica pela falta de matéria de caderno.

    Acessem o topico do correio web da V-Defensoria de SP. Na última postagem ele responde a uma candidata que o indaga acerca de bibliografia com uma única expressão: NENHUMA.

    sei lá, não é fórmula geral. Foi só um exemplo.

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  8. Ótimo Post!²
    Estava eu aqui pensando, exatamente, neste assunto: Que cursinho farei e se farei... Passei por aqui e me deparei com esse post maravilhoso que me fez refletir, e muito, sobre minha postura nos estudos... Enfim, adoro passar por aqui, pois sempre encontro postagens de ótima qualidade, escritas por alguém que, como eu, está em busca de seu lugar ao sol..
    Obrigada e Parabéns!!
    AHHH!!! Espero ansiosamente pela parte II.
    Vanessa Ramos(Aloé-rj)

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  9. MOCAM,
    Off post, se me permite.

    Meu caro, agradeço de coração o seu presente. O banner ficou excelente e o blog teve seu visual melhorado significativamente. MUITO OBRIGADO!!!

    Desculpem fugir da temática, mas precisava deixar aqui meu agrdecimento a essa pessoa que tanto acrescenta em nossas vidas.

    Vid longa ao blog do mocam!!!

    kafka

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  10. juízaestadual (forum CW)21 de janeiro de 2011 13:31

    Oi Mocam!

    Mais um excelente post.
    Esse ano começei uma nova estapa de minha vida - após fazer dois anos de cursinhos estudarei por conta própria(e estou estudando loucamente para o TJSP; nada como um belo edital já no início do ano, não?)
    De fato, em cursinhos vemos de tudo. Fiz dois anos de cursinhos nesses "gigantes" que existem por aí e tive vários tipos de colegas, inclusive aqueles, como você descreveu, que se julgam melhores que os professores. É preciso humildade, minha gente.
    Mocam, sempre digo aos amigos que iniciarão um cursinho (que por sinal, hj é em dia não é nada barato $$): mais do que a mente aberta, esteja com o coração aberto quando sentar diante do professor (ou do telão, TV).

    Fico muito contente em olhar para trás e saber que bem aproveitei o meu tempo e dinheiro. Tenho anotações preciosas, anotava T-U-D-O!

    Agora é disciplina e dedicação!

    Bons estudos para vc, colega!

    PS: Mocam, eu tenho uma dúvida que gostaria de lançar no fórum CW, mas quem sabe você pode me ajudar aqui mesmo: sabe se em uma prova dissertativa, os códigos que levamos podem estar sublinhados? Tenho costume de estudar sublinhando pontos da lei.

    Mais uma vez, obrigada.

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  11. @juízaestadual (forum CW) Juíza Estadual,
    Sublinhados, grifados, podem. Anotações não podem. Mas como o edital é a lei do concurso, vale dar uma lida nele antes.

    Um forte abraço,

    MOCAM

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  12. Cada um aqui traz sua experiência. Então vou dividir a minha, e vcs tirem suas conclusões!!!
    Já fiz alguns cursinhos. Alguns da lista dos badalados e outros nem tanto.
    Foram ótimas experiências. Não me arrependo de ter feito, porque vc sempre fica antenada sobre o que está acontecendo nas provas no Brasil inteiro...mas, porém, todavia, contudo...rsrs...
    Foi uma fase.
    Trabalhando dois horários e estudando a noite, era impossível complementar o estudo em casa. Chegou um ponto em que percebi que mais parecia uma taquígrafa...copiava tudo...mas sem condições de reforçar o aprendizado...
    Foi então que cansei desta fase, e entrei em outra: Estudar em casa.
    Usar o dinheiro da mensalidade (que diga-se de passagem não é barata!!!), para comprar bons livros.
    Tem sido uma fase boa. Me dá mais tranquilidade poder sentar e estudar, e não só ficar assistindo aula...
    Como toda opção também tem desvantagens, vc fica meio ET, sem saber a última "pérola" que cobraram no concurso tal.
    Nada que não possa ser suprido com uma passada de vista nos posts do Correioweb... Lá sempre dá para saber as notícias do que está acontecendo nas provas...
    Enfim, cada pessoa deve olhar suas particularidades e ver o que melhor para si...
    Só não pode ter a ilusão de que o cursinho vai resolver todos os seus problemas, não é organizações tabajara. Então...é isso...
    Bons Estudos!!!
    Lika

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  13. Olá MOCAM,
    conheci o blog esta semana e gostei bastante das postagens e informações.

    Queria saber se você tem alguma informação em relação ao curso Praetorium. O curso é de qualidade?

    Assim que puder poste a segunda parte, pois estou ansioso para ler.

    Grande abraço!

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